Baú

domingo, 22 de maio de 2011

Resposta ao post anterior:

Esse é um comentário sobre o post anterior, e achei muito bom, então aí vai. As duas últimas linhas falam a verdade nua e crua.

"Bom, primeiramente, a Linguística usa a Língua dos leigos sim e se preocupa com eles. O problema é que os falantes do português brasileiro estão imersos em um preconceito muito sério contra a língua, além do sentimento de inferioridade que entre eles reina (qnts vezes não ouvimos "Não sei falar português direito") Esse "Direito" baseia-se na Gramática de Camões, na Gramática de Portugal, extremamente arcaica. O que os linguísticas querem é mostrar para as pessoas que a Gramática é idealizada, NINGUÉM fala de acordo com suas regras, principalmente em situações informais. Evidentemente, causa um choque.: tantos anos acostumados à nomenclaturas malucas tantas vezes fomos corrigidos no colégio..achamos que precisamos dessa correção. O problema é que pegam SEMPRE o exemplo de "nóis pega o peixe" e acham um absurdo o MEC botar isso num livro;ora, esse exemplo, segundo a Gramática Normativa Tradicional, é tão errado quanto Eu vô come (que é como realmente falamos, independente da classe social,do nível de escolaridade). O MEC está corretíssimo, porque, no final das contas, nunca disse que a escola tem outra função além de ensinar o português culto. A questão da adequação de formalidade é extremamente real, sabemos (até quando crianças) que falar Mostrar-te-ei este incrível vídeo no sítio Youtube entre amigos e falar pro chefe sobre aumento usando “quatrocentos pila” é estranho, ruim, INCORRETO para quem quiser. As pessoas se chocam, batem boca, mas o MEC só botou no papel o que acontece; elas preferem estar submetidas às normas idealizadas e irreais a comemorarem a iniciativa do MEC."

Laura Moreira

A Polêmica dos Livros do MEC

O problema, para mim, não são os livros do MEC, mas, sim, os extremos nessa discussão. De um lado, os que defendem os livros, que, nas suas palavras, demonstram as variâncias entre a Língua escrita e a falada; de outro, os demais, que dizem que os livros ensinam que errar é normal.
Os estudantes, os bacharéis e os doutores das áreas de Letras, com uma soberba inacreditável para quem quer ensinar, dizem, grosso modo, que essa discussão é inútil, e que os leigos estão errados porque não são linguistas e não têm base para argumentar. Mas peraí: os leigos usam a Língua, e a gramática e os gramáticos vieram muito tempo depois.
Esse pessoal que estuda tanto e que ensina o tal do Português deveria sair desse campo perfeito das discussões sobre o sexo dos anjos, para tentar entender o lado dos leigos: o pessoal que argumenta contra está vendo algo novo e fica chocado. Nós, os meros leigos, estamos acostumados com um tipo de ensino, e não lemos Saussure nem nenhum dos outros linguistas que ficam falando da Língua num âmbito de pensamento quase utópico. Muito menos lemos os teóricos da educação. Nós não lemos isso porque tem alguém que o faz: vocês, que estudam a Língua.
Agora vamos ao outro lado: dizer que não existe diferença entre o jeito de falar e o de escrever é ignorância. Se eu fosse falar esse texto que você está lendo, ele não sairia nada parecido. Eu acho corretíssimo mostrar para as crianças que essa diferença existe, inclusive para mostrar a elas que a Língua é muito rica e que muda muito.
A primeira coisa que me vem à cabeça quando eu vejo as pessoas quase batendo nos professores que defendem os livros do MEC (a propósito, o texto do David Coimbra é constrangedor), é que elas acham que, a partir de agora, vão parar de ensinar Português, e vão começar a aceitar os erros em textos e em provas. Não, isso não vai acontecer. Nesse ponto, há uma injustiça muito grande com os que estudam a Língua: eles se preparam, espelham-se em países de primeiro mundo, onde a educação dá certo, e são bombardeados pelas pessoas ignorantes.
Há textos muito interessantes sobre o assunto, mas eu, infelizmente, só conheço um autor que fala sobre preconceito linguístico. Há muitos mais, e é muito válido ouvir os dois lados antes de sair xingando ou desmerecendo as pessoas, tanto por serem estudiosas do assunto, quanto por não o serem.

Em se tratando da Língua, os dois lados estão certos e errados. A solução é achar uma média entre os dois extremos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

História.

Quantas linhas do tempo já foram feitas nas aulas de História nos colégios ou nas faculdades? A tradicional semirreta cortando o quadro de flanco a flanco, interceptada por datas religiosamente definidas: a queda do Império Romano do Ocidente é 476, a do Oriental é 1453, e entre esses dois números fica uma obscura Idade Média.

Essas datas pré-estabelecidas são uma simples ferramenta didática, e, para o estudo da História que ultrapassa os livros não consumíveis do MEC, é necessário saber um fato cruel: os períodos da História não acabam de uma hora para outra. Muito pelo contrário, eles perduram por séculos, e podem ser vistos nas sociedades que o antecederam.

Na minha cabeça de estudante do Ensino Fundamental, no dia 1º de janeiro de 476 d.C., Roma sumiu do mapa e brotaram castelos, feudos e capelas por toda a Europa. Com o tempo, outras leituras e outros professores me mostraram que, na verdade, não é bem assim. Um breve exemplo: na crise dos séculos II e III, Roma já estava entrando em colapso interno e externo. A corrupção e os atritos que se iniciavam com os povos antes subjugados foram o estopim de uma queda homérica. Com esses problemas, a parcela rica da sociedade se refugiou longe de Roma, nas suas fazendas, onde tinham proteção e sossego. Ao ver essa debandada, a parte mais pobre resolveu pedir um lugar para morar nas redondezas das fazendas dos ricos, em troca de trabalhos semanais e de uma parcela da produção. Pronto, aí está o começo da Idade Média. Sem castelos instantâneos, cavaleiros ou trovadores.

Esse processo demorou, pelo menos, cinco séculos. O final da Idade Média também é curiosa, segundo os livros didáticos e os professores dos colégios: em 1453 Constantinopla foi invadida e terminou a Idade das Trevas. Brotaram cidades, Capelas Sistinas, pensadores e viagens audaciosas em mares dantes nunca navegados. O processo da superação do feudalismo medieval é muito lento, e vemos características cosmopolitas e capitalistas já no século XII, além do fato de que os últimos resquícios do feudalismo europeu medieval só se extinguiram, “oficialmente”, com a unificação italiana, que teve o ápice no final do século XIX. Até cerca de 1870, havia, no sul da Itália, senhores feudais no sentido mais puro da palavra, relações de servidão com os camponeses, de vassalagem entre a nobreza e um colossal atraso tecnológico.

Em suma, não se pode estudar História delimitando eras por datas específicas. Elas podem, sim, representar um feito que desencadeou alguma grande mudança, mas é necessário que se analise todo o contexto que antecedeu e o contexto que sucedeu esse fato. Nessa análise, vemos características de eras antigas nas épocas mais recentes e vice-versa. Os costumes de gerações diferentes costumam mesclar-se, e isso faz da História uma colcha de retalhos muito complexa, com tecidos muitas vezes não definidos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Velho Casarão da Várzea


Talvez um civil nunca entenda. Talvez um aluno das séries iniciais ache estranho. Talvez nós mesmos não tenhamos, ainda, nos dado conta de que acabou. Talvez. Mas não é preciso dizer nada aos quase ex-alunos do Colégio Militar de Porto Alegre.
É no último ano do Ensino Médio que temos a consciência da grandeza do Colégio. A luz morna que atrapalha a visão nas manhãs de quarta-feira, os gritos do Coronel Severo no palanque, como que a reger uma sinfonia ou a colocar em forma uma tropa de potros e outros detalhes quase despercebidos se tornarão lembranças muito boas e marcantes nos próximos anos. O azulão marcou o Colégio dos Presidentes, e todos nós estamos de parabéns. Parabéns por cada aula, por cada prova, por cada formatura, por cada desfile.
É nesse mesmo último ano que temos um choque muito grande: o terceiro ano parece algo impossível sob uma primeira perspectiva. Depois de algum tempo vemos que os professores estão ali para ajudar e para nos preparar, e isso fica claro quando 150 alunos sacam da garganta o nome de algum dos mestres, num coro que acorda o velho casarão.
A manhã do dia 12 de novembro de 2010 só não será mais marcante do que a noite do dia 16 de dezembro do mesmo ano, mas, mesmo assim, se tornará um marco na história de cada um de nós. A propósito, em cada um de nós, baleiros, há um grande homem (ou mulher para as baleiras), que tem o dever de fazer a diferença no futuro. Não é à toa que ouvimos e lemos em todas as manhãs: "formando hoje o cidadão do amanhã."
Que essa manhã dure para sempre na lembrança de todos nós, e que todos os seus momentos sempre permaneçam como um álbum de fotografias, que pode ser consultado sempre que necessário. O misto entre a alegria de terminar mais uma etapa da vida e a tristeza de deixar para trás anos de coleguismo e de uma rotina envolvente servirá como estímulo para que engrossemos as fileiras do Batalhão da Saudade.
Contemos as histórias do Colégio dos Presidentes aos nossos filhos e aos nossos netos. Elas servirão de estímulo para que a sociedade continue a respeitar e a reverenciar o velho casarão da José Bonifácio. Elas servirão para mostrar aos nossos descendentes que viemos de um lugar muito nobre, e que nós devemos nos orgulhar disso. Todas as lágrimas derramadas hoje provam que aqueles que envergam a farda cáqui fazem o colégio não só com a razão pregada pelo Exército Brasileiro, mas também com a emoção que salta do peito dos jovens formandos.
Respeitem os que usam boina vermelha, porque eles merecem o respeito. Os guris e as gurias que, nesse ano, se formam, serão grandes generais, grandes médicos, grandes escritores, grandes engenheiros, grandes juízes, grandes cidadãos.
As centenárias arcadas abrigam grandes mentes e grandes personalidades. O pluralismo que existe fica bem claro nos grupos que são formados durante o curso. Isso dá ao Casarão o ar tão imponente e mágico que todos conhecem. Essas mesmas arcadas servirão para abrigar ex-alunos saudosos, que sentirão encharcar a retina quando passarem pelo Portão das Armas novamente.
Os nossos cabelos podem até crescer e as nossas barbas podem até cerrar. Mas, apesar de não usarmos mais a boina (ou o gorro, como diz o Coronel Alceu) e de ficarmos "fora do padrão", sempre haverá um baleiro dentro de cada um de nós.
E, caso alguém não tenha ouvido o barulho feito pelos terceiro-anistas na manhã de hoje, não se preocupe: na noite de 16 de dezembro, se sentir o chão tremer já saberá a causa.

Parabéns, turma Brigadeiro Sampaio. O futuro nos espera. Vamos fazê-lo ao nosso modo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O elemento

Fiz um monte de textos neste mês. Todos têm tudo. Tudo Mesmo. Têm todos os elementos que eu quero, contudo um deles é indigno de receber méritos. Sempre me enchendo, sempre presente. Ninguém sequer o percebe, porque é freqüente em todos os textos dos escritores, indo pelos históricos e pelos corriqueiros.
É bonito, eu sei, comprometer-se com ele, e é preciso. Difícil escrever sem esse monstruoso recurso. Neste momento, estou vendo o meu fim, porque é impossível querer fugir dele. É impossível. Estou desistindo de modo lento, e reconheço seu peso nos meus -e em todos os outros- escritos.

Quero perder esse medo crescente de escrever com esse eminente e perigoso recurso. Disse que é impossível, e repito: im-pos-sí-vel. Bem fresco mesmo. Escrevi um texto, redigido no meio do pico do meu inconformismo, e Drummond (o próprio!) respondeu: "Por que você fez isso? Terminou com o meu sonho de cometer um homicídio e meter esse corno no fim do mundo."

Se nem Drummond conseguiu, como eu conseguirei? Só em sonho.

Foi Burrice mexer nesse tópico. Terminei o mês vendo pêlo em ovo. Esforço estúpido e inútil.
Meu Deus, por que fizeste isso comigo?

Descobriu sobre quem é o texto?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Brasil Bem Brasileiro

Os tuiteiros estão tendo orgasmos de tanto tuitar milhões de frases em combate ao patriotismo de Copa do Mundo. "Ridículo esse patriotismo sazonal", dizem eles. Como se fossem muito patriotas. Mas, se alguém fala isso, eles têm o argumento engatilhado na ponta da língua: dizem que não são patriotas nem mesmo na Copa, já que não o são durante o período entre cada edição. Isso, de onde eu venho, se chama dar moral de cueca, ou seja, apontar outra pessoa que faz a mesma asneira que ela.
Não é novidade para ninguém o ritmo alucinante de crescimento do país. Desigualdades sociais existem, é claro. Não entremos nesse mérito, agora é hora de falar do maior espetáculo do esporte mundial.
Se alguém torce loucamente pelo Brasil durante um mês, se coloca bandeirinha no carro e na foto do tuiter, ótimo. Pelo menos demonstra que tem apreço pela Pátria, independentemente da forma que o faz.
Não adianta: fomos escolhidos para ser o reduto dos deuses da bola. Talvez esse seja o circo do século XXI, mas em outro contexto, completamente diferente. Se não fôssemos o país do futebol, não daríamos show mesmo jogando meio mal. E o nosso hino não seria dividido em primeiro e segundo tempo, com um intervalo para vermos -ou idealizarmos- os melhores momentos.

Salve o patriotismo de Copa do Mundo. Mostra que há uma luz no fim do túnel. E se estiver lendo e for um dos que critica o patriotismo de Copa do Mundo, entre para o exército ou vire um skin head nacionalista. E faça bom proveito do seu ufanismo ridículo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Leitura Dinâmica: "Estrela da Vida Inteira".

Manuel Bandeira era um cara muito à frente do seu tempo. Criou um estilo único, que serviu de base para o movimento Modernista e para inúmeros escritores contemporâneos. Sua poesia tem um teor humorístico, saudosista, às vezes melancólico e quase sempre despojado, sem abandonar o lirismo de quem sabe o que faz.
Nessa obra, que reúne toda a sua poesia, é possível ver toda a sua evolução ao longo dos anos, não só em termos de conteúdo mas também na forma. Começa, em A Cinza das Horas, com uma visível preocupação com a rima, e, às vezes, até com a métrica. Abandona, posteriormente, esse cuidado, com versos brancos e livres, usando cada vez mais o humor e situações cotidianas como tema.
Como poucos, soube introduzir um coloquialismo consciente sem abandonar o estilo clássico. Dessa forma, deu um grande tapa de luvas nos retrógrados parnasianos, preocupados somente com a forma e ignorando a poesia pura e sem 'escrúpulos'. Sendo tuberculoso desde cedo, há no seu lirismo recorrentes referências à morte, fazendo um contraste com a sua perspectiva da vida: ao contrário do que se pode imaginar, a vê com alegria.
Sem dúvida uma obra eterna, que merece lugar de destaque na poesia brasileira. É impressionante como algo escrito no início do século XX consegue ser tão atual, quase cem anos depois.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Conjunto vazio

Todo mundo sabe que o vestibular não testa nada além de uma boa capacidade de memorização, certo? Questões objetivas, um ano de muito estudo e de muita estratégia para decorar as revoluções, os ciclos de Krebs e pentoses e difusões facilitadas.
Para que realmente serve o vestibular? Não me interessa. Na verdade, não interessa mais. Pior ainda do que a prova, na qual só marcamos meia dúzia de 'x' e torcemos para aquele chute ter sido certo é a redação. "Sempre chuto na errada", todos dizem isso para aquela. Para essa, a frase mais consagrada do planeta: "redação põe gente dentro da faculdade".
Para quem gosta de escrever, a redação é uma tortura. A começar pela aula de redação. Sinto pena do próprio professor, que provavelmente escreve muito bem. Tem que ficar ali, vendo uma turma quase sempre heterogênea. De um lado, os gênios que tiram 10. De outro, os futuros estudantes de engenharia da computação, que mal saberão escrever o próprio nome.
Mas os que mais sofrem são aqueles que querem escrever, sabe? Diz o professor que quem tem um texto literário tem sérias dificuldades com a redação. É um texto engessado, na definição do mestre. Queria poder revolucionar a redação no vestibular, deixar um texto livre, no qual os candidatos poderiam viajar à vontade, falar e aprofundar da maneira que quisessem. Uma monografia? Beleza! Uma poesia? Ótimo. Um desenho? Atingiu o gabarito.
Engana-se quem acha que fórmulas só servem para matemática.

domingo, 4 de abril de 2010

Saudade e flores.

Todo mundo sabe que a Língua Portuguesa é uma das poucas em que existe uma palavra que remete exclusivamente ao sentimento saudade. Mas convenhamos: pouco importa. Saudade é complicada, é fogo que arde sem se ver. Opa, esse é o amor.
Mas é complicado mesmo: saudade é terrível, faz um dia parecer um século, e faz com que, em cada atividade de um dia que era para ser normal, se lamente a ausência de uma pessoa. Faz os amigos caçoarem de ti, faz o teu trabalho não render os 100% que o chefe cobra, faz a fila de carros aumentar atrás de ti, enquanto tu ficas viajando no sinal verde recém concebido pelo semáforo.
Mas também denuncia o lado masoquista da mente humana: é a dor que desatina sem doer. Cacete, esse é o amor de novo. Mas, mais do que desatinar sem doer, é uma dor gostosa de sentir, parece que traz segurança. Todo mundo se sente mais seguro quando tem certeza de que a outra pessoa está milhas e milhas distante, pensando naqueles momentos bacanas que passaram juntos. É a dor que traz a certeza do sentimento e, principalmente, da veracidade desse sentimento.
O saudoso Mussum -e os seus companheiros- do grupo Os Originais do Samba já dizia, antes mesmo de eu entrar na fila para vir pra este mundo, que
[não existindo saudade, não existe amor.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

11 de junho

Há um dia em que o mundo vai parar, e não é em 2012; é agora, em 2010. Esse dia marcará um acontecimento fundamental na vida da maioria das pessoas, assim como na minha. Em respeito a essa data, permanecerei em casa durante umas duas semanas, período no qual meus olhos não se desgrudarão do que vai ser uma das minhas maiores companhias -tirando a primeira dama, é claro: a televisão.
A Copa do Mundo é um evento que mexe com tudo e com todos. Ruas vazias, sofás lotados, corações a mil pelo Brasil. Armando Nogueira disse, uma vez, que as Olimpíadas eram amor, e a Copa era paixão. E é mesmo. Copa do Mundo é o início do namoro, é aquela fase do coelho.
Na verdade, é muito mais do que futebol. É verdade que ver a diferença entre o futebol jogado brasileiro e o futebol espancado da Inglaterra tem tudo a ver com futebol, mas se trata de um dos únicos momentos de patriotismo de um povo que, até pouco tempo atrás, parecia desacreditado.
Mesmo que não traga dinheiro, carro novo e pagamento de dívidas, a Copa do Mundo traz alegria. Afinal, em que outra situação acordaríamos com as galinhas, simplesmente não dormiríamos ou mataríamos aula pra ficar na frente da TV, vendo um espetáculo mundial? Países em guerra, ou pelo menos de beiço torto uns com os outros se cumprimentam antes de rolar a bola, e atritos políticos ficam do lado de fora das arquibancadas.
Parabéns ao inventor da Copa. Esse sim, junto com Paixão Côrtes e com o inventor da Miojo, vai pro céu. Então, nesse 11 de junho, não pense em mais nada, não lembre de mais nada, não planeje mais nada: apenas assista à abertura do maior espetáculo do planeta, mas não esqueça que tem um emprego ou uma aula para assistir.

domingo, 24 de janeiro de 2010

O tal de Nirvana.

Nirvana, em sânscrito, significa extinção. Já o termo original na língua páli, nibbana, significa "esfriar" e foi utilizado da mesma forma que "febre" é analogia para ódio, mentira e ganância. Esse é um estado de espírito de renúncia, no qual se atinge uma iluminação suprema e sem necessidades materiais.
A iluminação absoluta é, para os budistas, uma busca feita com muita meditação e algumas restrições. Porém, aplicado à realidade ocidental, o conceito de Nirvana pode ser obtido de outras maneiras. Muito mais simples, por sinal.
Não estou falando naquelas bobagens espirituais -pisar descalço na grama, amar a família, não colocar o dinheiro na frente de tudo- mas sim atos e situações que nos levam a um estágio de felicidade que se encaixa perfeitamente no conceito de Buda. O simples fato de passear num domingo, sem a preocupação com o horário, sem se preocupar com as finanças da família, sem se preocupar em quem votar nas próximas eleições, por exemplo, é um modelo -ainda que grosseiro- de uma tentativa de alcançar essa iluminação.
Há, ainda, um exemplo mais claro. Duas pessoas que se amam e passam horas trancadas num quarto sozinhas, sem se preocupar com o tempo, com pudores, com roupas. Enfim, num momento em que duas pessoas são simplesmente elas mesmas. Parece simples demais, parece até uma aventura sexual de um casal adolescente, mas é muito mais do que isso. São horas que passam rápido, justamente porque os assuntos são muitos e, na falta dele, ainda há o que fazer. As conversas são francas, as risadas são sinceras, os suspiros são mais intensos.
Talvez esse não seja o caminho que Buda achou para chegar ao Nirvana, contudo, muitas vezes, esse é um estado de espírito que não se atinge sozinho. Compartilhar dessa experiência com outra pessoa -a que te completa- a torna ainda mais profunda.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A nova Babel

Neste verão solitário na Capital, quando todos os porto alegrenses -incluindo os que mais me apetecem- foram para os seus destinos, resta observar o que temos de bom e de diferente na boa e velha Porto Alegre. Mais vazia, com menos gente alternativa na Cidade Baixa, com um pouco menos de gente estranha na Redenção e, mesmo assim, a avenida Voluntários da Pátria continua excêntrica e, e ainda é o reduto de uma grande miscelânea.
Caminhar ali já é, por si só, um desafio. Muita gente, e a maioria pouco se importa em desviar das outras pessoas. Mas nesse mar de seres apressados, aparece o mais variado tipo de comportamento, de personalidade e de -mau- gosto para roupas. Na verdade, não chego a possuir um gosto para roupas, mas algumas pessoas na Voluntários se esforçam para ficar bagaceiras.
Definitivamente, ela é o correspondente atual da antiga Torre de Babel, que os filhos do bom de copo Noé construíram, lá no tempo em que minha mãe estava no primário. Vemos gente de todo o tipo, conversando sobre assuntos inacreditavelmente aleatórios, caminhando com pressa, 'apertando o passo' para não perder os compromissos.
A trupe bíblica ficaria feliz de ver que a obra que Deus -naquela época caprichosamente chamado de Jeová- destruiu, hoje está consolidada, em quilômetros de muita pedra, muito calor e muitas pessoas. É a mesma que foi derrubada há milhares de anos, só que com o jeitinho brasileiro e agora horizontalizada, porque eu acho que cansou de esperar.

Well done, Mr Watson!

Estréia em Porto Alegre a adaptação de Sherlock Holmes, de Conan Doyle, feita pelo diretor britânico Guy Ritchie. Quem encarna o secular detetive é Robert Downey Jr, acompanhado de Jude Law como Watson. A crítica anda fervorosa em relação ao filme, principalmente pelas declarações de Downey Jr, que insinua que a relação dos dois habitantes da Baker Street é mais do que a divisão do aluguel.
Dentre todas as adaptações das aventuras do detetive para o cinema, essa parece ser a mais diferente e excêntrica de todas. Foi-se o tempo em que Basil Rathbone assumia a responsabilidade de figurar Holmes, e chegamos a era em que alterações grosseiras são feitas. São vários os detalhes contados, mas por aqui eu paro. Ainda não vi o filme, apenas me assustei com as frases polêmicas de Downey, que mais parecem uma isca para o público do que um estudo profundo sobre a obra do grande Sir Doyle.
Daqui poucas semanas chega aqui a minha visão do filme, e enquanto isso, vamos assistir aos filmes antigos que retratam o cotidiano dos moradores do apartamento 221B, na Baker Street. Espero que não faça o pobre Sir Arthur se retorcer no seu mausoléu, onde descansa em paz por ter feito um grande trabalho como escritor.

domingo, 22 de novembro de 2009

Poemas no ônibus.

Existe um punhado de situações nas quais podemos observar os mais variados tipos de comportamento, e uma das que mais me chama a atenção é extremamente corriqueira e quase sempre passa despercebida: o ônibus.
Num domingo à noite, o pessoal que usa o transporte público porto alegrense é, no mínimo, bem heterogêneo. De um lado, um casal adolescente com um filho pequeno no colo, e sem nenhum afeto entre si. Atrás do casal-que-só-queria-sexo, uma dupla engraçada: dois boleiros/manos -não sei mais definir quem é quem, para mim é tudo farinha do mesmo saco- realizando uma profunda análise crítica do best seller Lua Nova. Simplesmente fantástico. Mais algumas pessoas que não chamaram muita atenção, um policial militar, idosos, gente voltando de festas infantis, gente lendo, gente conversando, gente provavelmente bêbada.
Porém o que mais chama atenção é o universo paralelo que muitas pessoas criam com fones de ouvido. No curto período em que passam no ônibus, todos os usuários criam uma vida fantasiosa, onde imaginam fazer coisas que não são possíveis no dia-a-dia, onde pedem mulheres em casamento ou são ricos e não andam de ônibus. Naqueles breves -ou nem tão breves assim- instantes, a vida passa a ter uma trilha sonora, assim como num filme. E o que mais fascina é que ela não é igual para todos, porém muito pelo contrário: se ouve de tudo naquele veículo longo e cheio de bancos. E eu ficaria muito satisfeito em ouvir tudo o que as pessoas estão escutando.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Crônica do rockstar frustrado.

Há um cara daqueles que todo mundo gosta de ter como amigo: gente fina, humor inteligente e perspicaz, sempre ali nas horas de aperto, enfim, essas características que vêm na embalagem do amigo perfeito. A esse cara bacana, ainda se atribui o fato de que ele queria ser um rockstar. E tinha o potencial para isso.
Durante a juventude, o que se vê é uma casa cheia de gente, com instrumentos em todos os quartos, e ensaios realmente animados, com muita música, alguma cerveja e pessoas legais. É uma sensação engraçada ver uma pessoa com um talento tão grande e um futuro tão promissor na tua frente. É engraçado tomar chimarrão e rir de coisas absurdas com ele.
Porém, também é um pouco triste ver que, aos poucos, os instrumentos vão desafinando, as roupas vão ficando sérias, as risadas são poucas e não tão boas como nos tempos em que um ensaio parecia um Woodstock. É perturbador ver o cara que nascera para ser uma estrela do rock colocar um terno e trabalhar numa coisa que não o faz feliz. Pelo menos, não tanto quanto subir num palco e cantar para uma gurizadinha já embalada, seja pela música, seja pelo nível etílico.
Talvez esse tenha sido o melhor, e a guitarra, a bateria e o baixo - o excomungado toca de tudo - sirvam, hoje, apenas como um hobby e fiquem somente em lembranças, naquelas fotos guardadas em uma caixa de sapatos em sua nova casa, com a sua nova família.
É uma pena, porque tudo o que ele queria era ser um rockstar, viver em mansões e dirigir 15 carros. Ou simplesmente tocar sua guitarra, e viver a vida dos que tiveram a sorte e o talento para trabalhar assim.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Intensidade

Dentre vários fatores que desgastam um relacionamento de "longo prazo", o mais corrosivo é a intensidade. Não é nem o ciúmes doentio, nem a falta de afeto, nem as brigas que sempre acontecem, até porque brigas tendem a acabar de um jeito muito amistoso e, por que não, prazeroso.
Mas a intensidade é um inimigo cruel, astuto e perigoso. No início há sempre um amor intenso, e há quem o chame de paixão. Aquele impulso louco que tende a diminuir. Na minha atual situação, não vejo prazo de validade para isso, mas não entremos nesse mérito. Há também a intensidade do sexo: no início é a chamada relação smurf -sexo até ficar azul.
Mas também há os "menos" e os "mais" que se expressam de outras formas. Menos cabelo e mais barriga, por exemplo. Esse é um clássico de qualquer casal com alguma história para contar. Minha barriga ainda não é -tão- evidente e o cabelo ainda está firme e forte, mas não me importarei em ter a barriga de cerveja e a careca brilhando, desde que com a minha mulher ao meu lado.
Por outro lado, a intensidade da tolerância e também do amor, acredito eu, aumentam exponencialmente, porque só isso resiste a uma barriga saliente e a um aeroporto de mosquitos. Fora isso, há a cumplicidade que se cria entre os dois, porque duas pessoas bem parecidas tendem a se dar muito melhor do que duas nada-a-ver. É meio óbvio, mas aquela velha crença de que os opostos se atraem não é verdade.
Os advérbios de intensidade são tantos e tão aplicáveis nesse tipo de assunto que não tem como continuar, mas a sacada é achar a média para os "menos" e para os "mais" e esperar ansiosamente para ver a cara da minha mulher, quando perceber que perdi os cabelos e ganhei os quilos.

domingo, 25 de outubro de 2009

Porcentagem

Os dias passam e a certeza aumenta, ao passo que a necessidade de me conter diminui de uma maneira fantástica. O que mudou agora? Foi a simplicidade: parece que tudo o que complicava foi levado por um vento que sopra ao nosso favor.
As coisas se tornaram simples de uma maneira simpática e fantástica, e não vejo outro modo de o ser. Hoje temos problemas que derrubariam qualquer dupla, mas parecem que só me fazem ficar ainda mais encantado. Realmente, pouco me importa o que aconteça, porque não deixarei que nada acabe com o que está tão legal.
Às vezes me acho frio demais, às vezes me acho um pouco meloso demais, mas tenho certeza de que achamos a receita. Encontramos o equilíbrio entre isso, e assim eu perdi meu medo. De fato, não foi nem 10%, porém foi suficiente pra que tu tivesse uma noção de tudo o que se passa aqui. Os outros 90% não serão falados, apenas sentidos.
Mas agora é hora de esquecermos as estatísticas, os números, a razão. Vamos aproveitar essa porra, porque é assim que tem que ser. E assim será, simples do jeito que deve ser.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

De canecas e estojos.

Em uma escrivaninha havia uma caneca e um estojo, ambos adornados com o mesmo tema beatlemaníaco. Se conheceram quando a caneca amarrava seu sapato do mesmo jeito infantil que o estojo, ainda que objetos inanimados que servem de recipiente para café ou lápis não amarrem os sapatos.
Era engraçado como eram parecidos, praticamente iguais. A caneca teimava em não mostrar o seu conteúdo, e o mesmo parecia acontecer com o estojo, mas a primeira não o conseguia e sempre derramava um pouco de café. Esse pouco de café uniu os dois ainda mais. Passavam dias ali, conversando, simplesmente olhando para a lâmpada da luminária, para os rabiscos de alguém que outrora passara por ali.
De repente, algo parecia diferente. Naquele momento, estavam separados apenas pelo corpo. Os amigos, dentre eles a bailarina de porcelana e o surfistinha maneiro sofriam com as suas piadas internas ou coisas do gênero. Naquele momento, a caneca não sabia nem o que falar, somente aproveitava que tinha encontrado sua versão feita de lata e uma foto dos guris de Liverpool.
Porém, um dia chegou alguém e colocou o estojo dentro de uma bolsa, o levando para algum lugar que a caneca não sabia qual era. Antes de partir, o estojo disse para que a caneca não se preocupasse, e aquilo soou muito, mas muito sincero para ela. Assim aconteceu: ela não se preocupou, ficou com saudades e, um dia, o estojo foi devolvido à escrivaninha.
Juntos, eles ficaram ali, assistindo ao filme do Tarantino que passava numa TV qualquer naquele cômodo mal iluminado. Juntos, formavam uma dupla e tanto, ou melhor, um objeto inanimado em tanto: eram exatamente a mesma coisa, só que um era de porcelana e o outro de alumínio.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Poesia profunda.

Para Laura Moreira


Ó, fax!
Tórax.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Leitura Dinâmica: "O Apanhador no Campo de Centeio".


J. D. Salinger, o autor desta obra, sabia das coisas. Fez uma história não muito longa, mas nem por isso superficial. No enredo, Holden Caulfield, um jovem recém expulso da escola onde estudava, resolve voltar mais cedo para casa, porém não quer ir diretamente ver os familiares, porque deseja adiar o confronto com eles. Passa uns dias zanzando por New York, enquanto reflete sobre sua vida e tem encontros bizarros com várias pessoas.
A história é interessante principalmente pelo modo com que os fatos acontecem, e com o choque com a cultura do século XXI a que estamos acostumados. O protagonista, um gurizote de 16 anos, fuma que nem um condenado. Hoje, isso é um problema um pouco sério na sociedade. Há um ponto da história em que a mãe dele suspeita que a sua irmã mais nova (se ele tinha 16, a menina devia ser um bebê, quase) está fumando, e só diz que não gosta muito disso. Ponto final.
A análise que o protagonista faz das pessoas é fantástica. Apesar de xingar todos os outros pivôs da história, com exceção da sua irmã, faz reflexões às vezes profundas, além de ele mesmo ser uma personagem profunda. Revoltada com a falsidade das pessoas, falava sobre os defeitos de qualquer um.
A edição que eu li foi, ao meu ver, um pouco mal traduzida, uma vez que algumas expressões são inacreditavelmente repetidas, como "um bocado", "... ou qualquer coisa que o valha" e ".... e tudo". No começo é legal ver essa linguagem um pouco antiquada. Depois, se torna cansativo. Fora isso, a linguagem e as gírias um pouco antigas são fantásticas.
Há um ar de mistério envolvendo essa obra, pois Mark Chapman, o excomungado que matou John Lennon em 8 de dezembro de 1980, carregava um exemplar no bolso. Segundo ele, o protagonista serviu como inspiração, devido a sua revolta com a falsidade das pessoas. Chapman, um beatlemaníaco (literalmente), dizia que Lennon era um hipócrita, pois falava de pobreza e coisas tristes nas suas músicas, o que não era a sua realidade. Então plantou 4 azeitonas nas costas do Joãozinho. Hoje, Chapman está cumprindo prisão perpétua em uma cela isolada, pois sofre ameaças de morte tão freqüentes quanto as provas que eu tenho no colégio.
Uma leitura bem leve, com vocabulário não muito educado, e nem um pouco cansativo. Vale realmente a pena, porque acho difícil não se identificar com pelo menos uma das personagens. Tem gente pra tudo quanto é gosto.

De onde vêm os bons escritores?

Ouvi uma reflexão interessante: o Rio Grande do Sul possui grandes escritores registrados nos seus anais devido ao tempo. Não o tempo cronológico, mas o meteorológico, porque o que mais se faz em dias chuvosos e frios? Se pensou em sexo, seja bem vindo ao clube, mas nos reservemos aos escritores e suas obras.
De fato, o tempo ajuda muito. Quantas obras primas não foram escritas em dias extremamente frios, acompanhados de grandes xícaras de café, cobertores e tendo como testemunhas lareiras a queimar e a esquentar os ambientes? Mas, se fores pensar, isso provavelmente ocorre em outros países conhecidos por serem os pagos de monstros da literatura mundial.
A Inglaterra, por exemplo. Quem nunca ouviu falar do clima bucólico da terra da rainha, que atire a primeira pedra. Tempo úmido, chuvoso e frio: algo bem propício para esmerilhar um bloco de folhas e escrever uma baita obra. Conan Doyle, Francis Bacon, Thomas Hobbes, Charles Dickens, Shakespeare, Bertrand Russel (esse é galês, mas vale mesmo assim), Lewis Caroll e outros nomes de peso da Literatura Inglesa têm algo em comum com os gaúchos do naipe de Erico Verrissimo, Simões Lopes Neto, Moacyr Scliar, Cyro Martins, Lya Luft e muitos outros. Eu aposto que suas grandes obras foram escritas num frio de esticar o arame.
Se, um dia, eu for um escritor do naipe desses aí de cima (acho difícil, mas não custa tentar), escreverei tudo no inverno, com um chapéu ridículo, de alpargatas e com muito café na minha caneca dos Beatles. E, se vier uma idéia boa durante o verão, ela que espere até o inverno, porque, se for realmente boa, não irá embora até os dias amanhecerem frios. Alguém tem que continuar a tradição, não acha?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Quando eu passar no vestibular.

Está aí um marco na vida das pessoas: o vestibular. Notei que muita gente divide a vida pré-concurso e pós-concurso, lembrando com nostalgia os tempos em que nada se fazia no colégio, e que, com as moedas que tinha no bolso, comprava balas para toda a semana. Depois vem a faculdade, onde as cobranças são supostamente maiores, porém as festas proporcionalmente melhores.
Percebi que é mais comum ainda pessoas que não passaram por essa experiência, traçarem diversos planos para depois do vestibular. Frases como: "Coração, quando acabar o colégio, tudo vai ser diferente e a gente vai ser ainda mais feliz" ou "Ah, quando entrar na faculdade, vou ser meu próprio chefe, fazer festa todos os dias e comprar uma moto" são bem comuns. Será mesmo? Hah, tenho certeza.
Eu mesmo faço muitos planos para depois do colégio, talvez porque tenha me cansado desse universo de ensino médio. Atualmente, há dois ou três motivos que me fazem ir à aula. Me falta uma liberdade que as quatro paredes do 2º ano me impedem de ter. Espero que realmente a tenha na faculdade.
É lá que vou deixar minha barba por fazer, ler todos os livros que eu quero, acordar muito tarde, ser ainda mais feliz, coração. Tenho certeza, ou quero ter essa certeza. Enquanto isso, nada melhor do que esperar passar essa fase tença (eu sei que a grafia está errada, é uma piada. Não ria se não entendeu) e torcer para que, um dia, eu possa ir de chinelos para a aula sem ouvir os gritos de um homem dizendo que aquilo é um absurdo.
Quero levar só uma folha para a aula, anotar só o que achar importante, estudar alguma coisa que me seja realmente útil. Quero trocar de universo, quero sair destas intrigas, quero sair da aula e ir direto para um bar; quero, simplesmente, passar no vestibular. Depois dele, tudo será mais fácil. Assim dizem os mais velhos.
Assim será, não é?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ergue-te, alma campeira.

Setembro. O mês mais agitado na vida de um gaúcho. O ápice de um ano sedento por comemoração, por festa e por tradição. Mas não é o momento de discutir sobre as diretrizes da pilcha e assuntos desse cunho. Vamos deixar isso para quem realmente entende. Quero falar sobre o Tradicionalismo, mas de uma forma diferente: para onde ele vai?
Hoje, ouvi outra frase contundente: o Tradicionalismo não existe mais. No momento, claro que neguei o fato, e continuo a negar. Mas não tiro totalmente a razão do patrício que falou. O Tradicionalismo não acabou, apenas se modificou. Sempre segui o pensamento de homens que se diziam os "professores" do Nativismo, e hoje vejo que não os são. Como tudo, o uso da indumentária se modifica, e temos que aceitar o fato. Com o tempo, novos costumes vão sendo adicionados aos que já temos, e alguns deles tomam o lugar dos antigos.
O que mais entristece: alguém vestindo bombachas e camiseta, ou outro literalmente fantasiado, o típico gaúcho do 20 de setembro? Alguém de bombachas e camiseta não entristece. Os costumes mudaram. Eles estão, na verdade, de bota e bombacha, sustentando os padrões culturais, como disse o mestre, uma vez.
Por isso, nessa semana Farroupilha, vamos fazer diferente: a homenagem deve vir de dentro para fora, e não o contrário. O Nativismo deve ser muito maior do que o desejo de simplesmente se fantasiar. Assim, garantimos o futuro do Tradicionalismo. E usemos as pilchas da melhor forma possível: simples e sem frescura. Ela é apenas um símbolo. A ideologia é o que move o homem.

domingo, 6 de setembro de 2009

A virtude do patriotismo.

É nessa época do ano que surgem os sentimentos mais bonitos -nem por isso os mais profundos e sinceros- em relação à Pátria. Sábado presenciei um embate de idéias em relação a esse assunto, o que acabou dando um nó na minha cabeça, ao mesmo tempo em que esclareceu algumas concepções.
Paradas militares são constantemente criticadas, por não representarem um exemplo real de patriotismo. Mas como assim? Como disse um colaborador faca na bota desta bodega, eles demonstram a soberania nacional sobre o seu território. E é verdade: desfiles desse tipo mostram à sociedade -que é, de fato, o país- que existe alguém que se importa com ela, e que tem força. Ainda que tanques e canhões possam estar eventualmente sucateados, demonstram, sem dúvida, a força de uma Nação.
Porém, não é somente por aí que o patriotismo se demonstra. O senso crítico que insistem em instigar na escola é fundamental para um futuro aceitável. O voto continua sendo a nossa maior arma. Não temos em quem votar? Nem entrarei neste assunto, renderia um livro. Também não digo para pegarmos em armas e derrubarmos uma nova Bastilha.
É necessário, apenas, que todos pensem -não só no 7 de setembro- que há um país pelo qual devemos zelar, e ele não crescerá se ficarmos inertes, apenas colocando defeitos em paradas militares ou hinos nacionais terrivelmente cantados em situações que seriam engraçadas, se não fossem humilhantes.

Splish splash

Nos próximos dias vem a Porto Alegre outro ícone do rock and roll. Jerry Lee Lewis vem para dar com os dois pés no peito de todos os habitantes da capital e para fazer, acredito eu, o seu último show por aqui. Exatamente como o Rei, Chuck Berry.
É muito bom ver nossa cidade respirando música, e por que não, respirando rock and roll. Tenho dito a todos que estou ficando cada vez menos eclético, musicalmente falando. Mas isso pouco importa: o que interessa se eu gosto de MC Marcinho (foi só um exemplo) ou de The Who?
O ano tem sido bastante turbulento em Porto Alegre, mas no bom sentido da expressão. Monstros do rock, do blues, do jazz, do R&B e de tudo-o-que-é-bom parecem se reunir aqui, para fazer seus shows de despedida ou até mesmo de reencontro com o público. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo.
Resta aproveitarmos essa boa safra de música, e, caso não goste dos nomes citados há pouco tempo, não tem problema. Ao que me parece, nomes de peso de diversos ritmos e estilos musicais vêm para cá, também.
Esses tais monstros vieram para relembrar aos mais velhos o que é bom, e para ensinar aos mais novos, como eu, a mesma coisa: música boa não tem idade. Ontem mesmo, descobri que há músicas que eu adoro e que foram feitas na década de 70. Do século XIX. Porto Alegre se tornou um grande palco, onde se encontram os nomes que todos querem pronunciar, e onde são tocados os acordes que todos querem ter a honra de ouvir.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O igual que é diferente.

Encontre alguém realmente parecido contigo. Fica fácil ver que, assim, é mais legal viver algumas coisas. Tem gente que tem um lado completamente igual ao de outra pessoa, e são pequenos hábitos, gostos e manias (ou Transtornos Obsessivos Compulsivos, chame como quiser) que fazem essa relação interessante.
Mas aí que está a grande questão: até as pessoas mais parecidas do mundo possuem um lado absurdamente diferente, e isso é um fato. Não adianta queremos que tudo seja igual, porque não será. Além disso, algo de diferente é extremamente necessário, senão seria uma monotonia sem precedentes. Imagina conviver contigo mesmo? Uma hora enche a paciência, sem sombra de dúvidas.
Porém, o mais engraçado de conhecer alguém assim é justamente lidar com dois lados totalmente diferentes: saber aproveitar a sincronicidade e ter jogo de cintura com as diferenças -que, eu estou convencido, são ainda maiores em pessoas iguais. O desafio é nunca deixar de se prender nos pequenos detalhes: seja o jeito de amarrar os sapatos, as músicas que ouve, o fato de falarem as mesmas coisas ao mesmo tempo ou o de nem precisarem completar uma frase para entender alguma coisa ou morrer de rir. Essa é a parte mais legal, porque os detalhes fazem com que gostemos ainda mais de quem já gostamos.
Não são as diferenças que fazem de amigos, menos amigos e de pessoas especiais, menos especiais. Acredito que é muito pelo contrário: novas descobertas vão sendo feitas, e as pessoas vão se completando. Continuemos a ser iguais, e vamos lidar com nossos lados diferentões. Dá certo, sabia?

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sweet Little 81


Chuck Berry vem a Porto Alegre amanhã, dia 20, para fazer o seu show, mas há uma coisa horrível nisso: eu não vou. Esta com certeza é a sua última performance na Capital, e ele, apesar da idade, dos acordes errados e das letras que esquece, é, sem dúvida, o pai do rock and roll. Mais do que isso: é o Rei do rock and roll.
Isso me deixa um pouco triste, pois o cara que todo mundo chama de rei (não o Pelé) e que com certeza era brilhante, não é realmente o rei. Elvis, assim como os Beatles e os Rolling Stones, gravaram grandes sucessos de Chuck Berry, e fizeram fama e fortuna assim. Nada que o vovô do rock não tenha.
Apesar de tocar a sua Gibson muito, mas muito velha, seu som continua sendo mágico, e suas composições de arrepiar. Acho engraçado, pois quando ouvimos várias músicas dele, vemos que cada uma delas fala de uma mulher diferente. Fala inclusive de gurias novinhas. Seria ele um comedor nato? Ou um comedor nato de criancinhas?
Pouco me importa. Desejo que simplesmente bote pra derreter no show, e que todos que tiverem o prazer de vê-lo tocar pela última vez aqui, que aproveitem o show.
Vá com Deus, Rei do Rock.

domingo, 9 de agosto de 2009

Faca na bota.

Muita gente me pergunta o porquê do nome desta tasca ser Faca na Botta. Tenho o costume de sempre usar essa expressão, que é um dos ícones do gauchismo. Ela denota virilidade, masculinidade e tudo aquilo que um gaúcho realmente precisa, correto? Errado.
Faca na bota se refere às mulheres de outrora. Não a todas elas, mas algumas. Nos tempos em que meu bisavô freqüentava os chinaredos da região onde morava, não era muito raro um cara se passar no trago e se passar com as gurias do estabelecimento. Quando dava arranca-rabo, os homens, mesmo com um pouco de álcool no sangue, conseguiam agarrar e até bater nas meretrizes. Outros tempos. Hoje alguém faz isso e apanha de três seguranças até se mijar.
Pois então, elas tinham que se garantir, não é? Mas como se defender de homens fortes e um pouco alterados? Nada melhor do que um punhal. Então, na entrada do inferninho, elas mostravam à dona do estabelecimento o que levavam consigo: era uma faca escondida na bota. Se fechasse a rosca, desembainhava a xerenga e resolvia. Simples, fácil e um pouco cruel.
Então, quando alguém te chamar de faca na bota, pensa duas vezes. Prefiro que me chamem de pé no pescoço, e que continuem a chamar o blogue de Faca na bota, porque esse não tem sexo e não corre esse risco.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tenha uma amiga mulher.

Precisei de uma ajuda nesses últimos dias, e queria conversar com alguém. Sabe, simplesmente conversar. Fui conversar com meus amigos, e recebi os mais variados conselhos, mas todos conselhos de homem, como os que eu daria para um amigo meu, se ele pedisse. Até que hoje conversei com uma amiga. Foi impressionante.
Primeiro, ela sabia o que se passava comigo, em detalhes, sem eu sequer dizer o que tinha acontecido. E o mais incrível, ela sabia quais seriam os meus próximos passos. Eu ali, um pouco triste, com muito sono, dor de cabeça, um pouco irritado, e ela com a maior paciência do mundo, me ouviu e me disse o que achava que eu deveria fazer. E, como eu realmente não sabia o que fazer, acatei o que ela me propôs. Na hora achei que ia ser um pouco difícil, mas agora tenho a certeza de que não será. Me pergunto como ela sabia disso na hora.
Mas o fato de dar o conselho é simples, qualquer bocó pode dar um. Até eu me arrisco, às vezes. O incrível foi que ela sabia o que aconteceu, sabia os motivos, e me confortou exatamente como uma mãe faria. Ela me trouxe de volta de um lugar do qual eu gosto muito, mas com o qual eu ainda não sei lidar direito. E está, aos poucos, me situando no meu antigo mundo, ao mesmo tempo em que tenta me ensinar que podemos conciliar dois mundos, e que isso pode ser saudável. Se isso for verdade, serei o cara mais feliz, pois vou ter tudo o que eu quero (menos uma moto e o meu estojo, que por enquanto tá difícil).
Amigos são ótimos, não vivo sem os meus. Mas experimente conversar sobre isso com uma guria, e veja o que ela vai te dizer. Eu me assustei. De novo.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Pedro Simon: o último caudilho.

Sempre me disseram que o último caudilho que esse País teve o prazer de ver foi Leonel Brizola, mas acho que há mais um: Pedro Simon. Se olharem bem, tem todas as características de que um caudilho de verdade precisa. Líder firme, com caráter liso que nem sovaco de santo, querido pelo povo e temido pela oposição. E hoje tive a maior prova de que, para ser ainda mais fascinante, só mesmo estando sobre o dorso de um cavalo, com chiripá encarnado e esporas reluzentes.
Diante do cenário político atual -que é ridículo- surge um homem de carreira política impecável, que hoje mostrou ao Brasil que não se calará com os absurdos cometidos. Numa sessão do Senado, quando José Sarney já tinha deitado o cabelo, Simon começou a falar da valta de vergonha que se passava no presente momento, e citou Renan Calheiros como um dos exemplos de homens que não devem ter o poder. Falou do tempo em que Collor sofreu o pênalti, digo, o impeachment, e Calheiros o ajudou até o momento em que não tinha mais salvação, então pulou fora antes que não desse mais tempo.
Sem titubear, Collor, roxo de raiva, começou a encher Simon de osso, dizendo para engolir o que disse e tudo mais. Falou tão bonito que quase me convenceu. Enfim, bateram boca até o fim, e Simon, com seus 79 anos, não baixou sua cabeça perante os larápios. simplesmente fantástico.
Aí está o exemplo de líder de que precisamos. Um caudilho, só que de terno e gravata.

sábado, 1 de agosto de 2009

18 coisas para fazer no trabalho.

1. No seu horário de almoço, sente-se no seu carro estacionado, coloque seus óculos escuros e aponte um secador de cabelos para os carros que passam. Veja se eles diminuem a velocidade;

2. Insista que o seu e-mail é: Xena.Princesa.Guerreira@nomedaempresa.com.br ou Elvis.O.Rei@nomedaempresa.com.br;

3. Sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se quer que fritas acompanhem;

4. Encorage seus colegas de sala para fazer uma dança de cadeiras sincronizada com você;

5. Coloque a sua lata de lixo sobre a mesa e escreva "Entra" nela;

6. Desenvolva um estranho medo de grampeadores;

7. Coloque café descafeinado na máquina de café por três semanas. Quando todos tiverem superado o vício à cafeína, mude para expresso;

8. No canhoto de todos os seus cheques escreva "Ref. favores sexuais";

9. Sempre que alguém lhe falar alguma coisa, responda com... "isso é o que você pensa";

10. Termine todas as suas frases com ...."de acordo com a profecia";

11. Ajuste o brilho do seu monitor para o que o nível dele ilumine toda a área de trabalho. Insista com os outros que você gosta desse jeito;

12. Não use pontuações;

13. Sempre que possível, pule ao invés de andar;

14. Pergunte às pessoas de que sexo elas são. Ria histericamente depois que elas responderem;

15. Quando estiver em um "drive-thru", especifique que o pedido é para viagem;

16. Cante junto na ópera;

17. Vá a um recital de poemas e pergunte por que os poemas não rimam;

18. Descubra onde o seu chefe faz compras e compre exatamente as mesmas roupas. Use-as um dia depois que o seu chefe usá-las. Isso é especialmente efetivo se o seu chefe for do sexo oposto.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Treze coisas para fazer no elevador.

Acredito que já conheçam, mas mesmo assim é muito legal!


1. Quando houver só uma pessoa no elevador, dê um tapinha no ombro dela e finja que não foi você;
2. Aperte os botões do elevador e finja que eles dão choque. Sorria e faça de novo;
3. Se ofereça para apertar os botões para os outros, mas aperte os botões errados;
4. Segure a porta e diga que está esperando por um amigo. Depois dê um tempo, deixe a porta fechar e diga: “Olá amigo. Como vai você?”;
5. Deixe cair sua caneta e espere até alguém se oferecer para pegá-la, então grite: “É minha!”;
6. Traga uma câmera e tire fotos de todos no elevador;
7. Deixe uma caixa no canto, e quando alguém entrar, pergunte se elas ouvem um tique-taque;
8. Finja ser uma aeromoça e revise os procedimentos de emergência com os passageiros;
9. Pergunte: “Você sentiu isso?”;
10. Quando a porta se fechar, fale: “Tudo bem. Não entrem em pânico. Ela abrirá novamente”;
11. Mate moscas que não existem;
12. Diga às pessoas que você pode ver suas auras;
13. Grite “Abraço grupal!!!”, e então force-as.

Como (não) perder o hábito da leitura.

Notei que perdi o fervor que tinha por livros. Hoje eu os encaro de uma forma diferente: não é por ser um livro que lere, simplesmente para dizer que vou ler. É claro que, quando adquirimos o hábito da leitura desde cedo, nossa cabeça se abre para os diversos caminhos que a literatura nos abre, porém o nosso gosto se aguça, e, muitas vezes, nos prendemos em algum segmento por um certo período.
De fato, tenho prezado muito mais pela qualidade do que pela quantidade, exatamente o oposto do que eu fazia há algum tempo. Nessa época, achava que qualquer leitura era válida, e que isso abriria a minha mente. De fato, abre; e com certeza é ótimo variarmos as leituras, mas a mudança foi natural.
Hoje, já não sei o que é melhor: saber muito sobre um assunto ou saber menos sobre vários. Gostaria de uma resposta, mas fico bem em cima do muro. Acredito que com todos os anos que supostamente me esperam no futuro, dê para unir os dois caminhos. O importante é não parar de ler.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

7º sentido

É impressionante o poder feminino de saber exatamente o que eu estou pensando. Fui fazer algumas perguntas para uma amiga e ela não só respondeu, mas sabia as perguntas e o porquê das respostas. Realmente assustador.

Mulheres e o seu sétimo sentido.
Não é, coração?

terça-feira, 21 de julho de 2009

O grande mentiroso

Mentir faz parte do nosso cotidiano. Desde que o mundo é mundo, as pessoas mentem. Adão com certeza mentiu pra Eva. Astronautas, mesmo isolados num cubículo a vários quilômetros de altura mentem um para o outro. E se sentem culpados? Claro que não.
Mas a questão não é mentir, tirar proveito de alguma situação ou se safar de alguma coisa que tenha feito. O ponto é inventar histórias, principalmente para desconhecidos. Eu invento, todos os dias, eu acho. E não só para desconhecidos, mas também para os menos chegados. Para taxistas, já fui desde hippie até estudante do MIT. Por que eu faço isso? Não sei, mas a reação deles é engraçada. Meus amigos sabem da minha queda por inventar papéis e histórias aleatórias.
Descobri que fazer isso estimula o cérebro, principalmente áreas pouco utilizadas se tu não és um ator ou um precursor da pop art. Depois do estímulo científico, com certeza aprofundarei meus papéis para taxistas, pessoas que eu acabei de conhecer ou até mesmo velhos conhecidos desavisados. Não sou um mentiroso, apenas um contador de histórias. Se são verdade ou mentira, ouça para descobrir.

Homem camaleão

Fico impressionado com a nossa capacidade de ter múltiplas personalidades, múltiplos temperamentos e humores. Fico espantando com o fato de que eu também sou assim. Notei hoje que tenho comportamentos diferentes de acordo com a situação. E fui fazer uma pesquisa relâmpago sobre isso, para descobrir o que as pessoas pensavam.
Ouvi coisas das mais absurdas, mas todas apontando para o mesmo caminho: sim, somos dissimulados para fazer pessoas felizes, ou, no mínimo, conseguir o que queremos. Mas fiquei muito assustado, porque eu não sabia que fazia isso, e hoje, num ônibus entupido de gente, sendo prensado por uma idosa mais forte do que o Chuck Norris e por um malandro vestido de Nike da cabeça aos pés.
Há um certo tempo disse para uma pessoa que ela era uma das únicas gurias com as quais eu era 100% honesto e "eu mesmo" (seja lá o que isso signifique). E é verdade, por algum motivo me sinto confortavelmente tranqüilo em chutar o balde com ela. Bacana, isso. Acredito que com professores, vendedores e gente de circo eu seja bem diferente. Provavelmente extremamente educado e polido, coisa que ninguém é no íntimo de uma convivência mais próxima.

Retomando o raciocínio do início do texto: todas as pessoas com quem eu falei (foram 7 no total) disseram que são dissimuladas em algum momento do dia. Parei pra pensar e vi que não há um dia em que eu não mude de personalidade/comportamento para uma situação específica. Parece um botão on/off. Espero que essa joça não pare de funcionar.